Ziraldo: "Leio muito no banheiro"
24 DE outubro DE 2012
Mineiro de Caratinga, Ziraldo foi o primeiro a lançar uma revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor (A Turma do Pererê) e foi um dos fundadores do semanário O Pasquim (publicação de oposição ao regime militar). Seu primeiro livro infantil, Flicts, foi publicado em 1969. Dez anos depois, Ziraldo passou a se dedicar à produção de livros para crianças.
Parece que foi ontem, mas O Menino Maluquinho foi lançado em 1980. De lá pra cá, a obra foi adaptada para diversas outras mídias e linguagens.
Ziraldo, que esteve na BSP em setembro de 2010, completa 80 anos no dia 24 de outubro de 2012.
Para relembrar esse grande artista brasileiro, leia abaixo alguns dos trechos do bate-papo com o criador do Menino Maluquinho, promovido pela Folha de S. Paulo no dia 19 de maio de 2012.
Ler no banheiro
O melhor lugar para ler é o vaso sanitário, tenho uma estante de livros na minha frente. Leio muito no banheiro. Não tem prazer maior do que ler. Quer dizer, tem... [risos]. Mas um dos maiores prazeres do mundo é ler.
Ler x Estudar
Estudar é importante para poder escolher o seu destino, mas ler é muito mais. Já escrevi 150 livros, dizem que escrevo direitinho. E nunca estudei, só li. Na hora da prova, enganava o professor porque era muito sabido. Sabia conversar sobre tudo, porque lia tudo.
Quem vai abrir sua cabeça para sacar suas escolhas é o livro. Se pudesse ler todos os livros do mundo, você seria Deus porque entenderia tudo.
Idiotas na internet
Tudo de que você precisa está dentro de um livro.
Seu filho não pode chegar à internet sem passar pelo livro.
Se não for capaz de escrever o que pensa e de entender o que lê, vai pra internet pra virar um idiota.
A internet está cheia de idiotas. Ela conseguiu dar palco pro canalha, pro invejoso.
A humanidade, vocês, adultos, sabem, não presta.
E você multiplica a potencialidade dessa maldade na internet...
Não sei gramática
Se tiver alguma professora aqui ensinando gramática pra menino de dez, 11 anos, pode parar com isso! [risos]
Se você conseguir me provar que um menino de dez anos pode conceituar um objeto que não pode pegar, aí deixo ensinar gramática pra ele.
Mas objeto direto e objeto indireto... até hoje não sei. E olha que treino muito.
Toda informação gramatical que me deram não me fez a menor falta ao longo da vida. Gramática só serve para os especialista.
Aprenda a ler e a escrever, o resto vem por acréscimo.
Morte e Eterna
Meu pai era um senhor original. Deu dois nomes para minha mãe escolher para mim. Graças a Deus, ela escolheu Ziraldo, Zi de Zizinha e raldo de Geraldo. A outra opção era Gezi! Mamãe me salvou.
Depois, nasceu meu irmão. Tadinho, Ziralzi.
Mas, no interior, você pode ter qualquer nome, não tiram sarro. Conheci gêmeas que se chamavam Morte e Eterna!
Livro preferido
Livro é igual a filho, a gente "gosta igual".
Mas temos preferência por filho que agrada mais à gente, que dá mais atenção.
Qual o livro que me deu mais alegria? Foi "O Menino Maluquinho".
As coisas que aconteceram com "Flicts", meu primeiro livro crianças, também me comovem muito. Os dois mudaram a minha vida.
Enganar a morte
Agora, perto dos 80, pensei: acho que não vou escrever mais livro. Ou vou. Porque essa é a década da morte.
Descobri que, de todos os brasileiros que fazem 80, só 10% chegam aos 90. Todos os meus amigos mais velhos do que eu já foram, o último foi o Millôr. Então fiz a série dos meninos intergalácticos. Criei um personagem para cada planeta.
Como vou lançar um por ano, só posso morrer daqui a dez anos. Foi o jeito de enganar a morte que inventei.
Para ler outros trechos e assistir à gravação do evento, clique aqui.
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