Viagem Literária: a dança das palavras, da literatura e dos encontros
18 DE outubro DE 2019
Durante todo o mês, o programa Viagem Literária, com seu módulo de Literatura Fantástica, levou 15 escritoras e escritores do gênero a percorrerem mais de 12 mil quilômetros cruzando rodovias e estradinhas do interior paulista. Esta é a 12ª edição do evento promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB) e realizado pela SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura.
Em cada uma das 76 cidades por onde o Viagem Literária passou, o bate-papo com os escritores, nas bibliotecas públicas, promoveu uma estimulante troca de experiências.
“Vi crianças e jovens arregalando os olhos, deslumbrados, diante de algumas de minhas colocações; vi outros se interessando por se cadastrar nas bibliotecas, pegar livros, produzir textos. Muitos ali têm sonhos para realizar, e a Literatura Fantástica pode ajudá-los fornecendo material para imaginar, refletir e transformar suas vidas”, comentou a escritora Ana Lúcia Merege, que participou do bate-papo nas regiões de Barretos e São José do Rio Preto.
O impacto do encontro do público com o escritor “ao vivo” é inestimável. “Temos a chance de conhecer leitores ainda na semente e colocar no coração deles ao menos uma fagulha de interesse pela literatura e pela leitura”, reflete o autor André Vianco, que escreveu seu primeiro livro na adolescência e hoje ultrapassa a marca de 1 milhão de exemplares vendidos.
No período que antecede a vista dos escritores há envolvimento e preparação das equipes. De um lado, os professores estudam o gênero com seus alunos e, de outro, os profissionais das bibliotecas adquirem obras do autor para o acervo, além de decorarem seus espaços para o evento especial. "A atividade é um momento de coroação dos trabalhos que realizamos durante os meses, oferecendo a literatura, propondo atividades e o Viagem é o momento do ‘venha provar tudo que apresentamos’ ", diz a bibliotecária Sandra Regina Vieira da Mata, da Biblioteca Pública Municipal Nicolau Zarvos, em Lins.
Neste módulo de Literatura Fantástica, quase 6 mil pessoas, de diferentes idades, participaram dos bate-papos. A bibliotecária Ednea Maia Ferraz, da Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato, em Itapevi, sublinha o valor da interação. “O leitor se sente estimulado e toma conhecimento da importância que o escritor dá à pessoa (leitor) que participará intensamente nas entrelinhas escritas por ele."
A dinâmica do Viagem Literária, com a presença do escritor, favorece a aproximação do público do universo da criação literária e do entendimento da profissão. "Senti meu trabalho ser valorizado e compreendido por colegas de bibliotecas, professores e alunos”, disse o escritor Enéias Tavares. Já a autora Giulia Moon, destaca que “produzir literatura não é privilégio de poucos, é direito de qualquer pessoa com talento e vontade. E, levando o escritor de literatura fantástica para perto do leitor, o Viagem Literária está abrindo todo um leque de possibilidades para que novos escritores surjam, novos leitores sejam formados e que a leitura não seja uma obrigação”.
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