Segundas Intenções com Noemi Jaffe
31 DE outubro DE 2016
Filha de judeus sobreviventes do Holocausto que imigraram para o Brasil, Noemi nasceu em 1962, na capital paulista. Sua estreia na literatura pode ser considerada tardia: sua primeira obra, o livro de poesias Todas as coisas pequenas (Hedra), foi publicado em 2005. "As circunstâncias da vida fizeram com que me dedicasse à carreira de professora de literatura e língua", contou Noemi. "Trabalhava em três escolas."
A escritora revelou também que faltava uma convicção sobre o que escrevia, uma certa perseverança. Além disso, de acordo com ela, seus parâmetros eram muito altos. Noemi só se voltou com afinco à produção de sua literatura quando saiu das escolas onde trabalhava e adentrou o mundo da crítica literária. Logo após o lançamento de Todas as coisas pequenas, ela deu início ao blog Quando nada está acontecendo. "Foi espontâneo. Gosto de contar pequenas histórias. O blog teve boa recepção e foi estimulante." Apesar de ter debutado nas letras com um livro de poesia, ela acabou conhecida como prosadora. "Não acho que minha jornada da poesia para a prosa tenha sido atípica por causa da minha atenção às palavras."
Essa olhar atento é fruto de uma de suas paixões, a etimologia, que estuda a origem, a formação e a evolução das palavras. O que tem tudo a ver com seu livro A verdadeira história do alfabeto (Companhia das Letras), no qual ela inventa histórias sobre o surgimento das letras. "É como se o desenho da letra fosse motivado pelo significado", disse. A letra C, por exemplo, tem o formato arredondado porque foi criada por um marinheiro holandês na Indonésia, em pleno século 18. Com o C, ele também inventou a palavra cobra, quando presenciou o encontro de dois répteis dessa espécie em meio a um enredo muito divertido.
O que os cegos estão sonhando? (Companhia das Letras) se baseia no diário que a mãe de Noemi, que é de origem sérvia, escreveu após a experiência como prisioneira do campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia. A redação aconteceu na Suécia, durante a quarentena a que foi submetida depois de ter sido salva pela Cruz Vermelha. O restante do diário foi preenchido por cartas de amor de seu pai à sua mãe, mas o livro só se baseia no texto da mãe. As missivas devem ser assunto para uma obra à parte. "Sinto que tenho a incumbência, de que me tornei escritora para contar a história dos meus pais. As outras histórias são laterais", afirmou Noemi.
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