Saiba como foi a Oficina Virtual do Módulo de Escrita Criativa
03 DE agosto DE 2017
A primeira parte da atividade foi um resumo do curso realizado pela escritora em abril, no Módulo Inicial. Na sequência, ela respondeu às perguntas da audiência, tirou dúvidas e deu várias dicas. Caso você tenha mais alguma questão, ela pode ser encaminhada para o e-mail escritacriativa@spleituras.org.
O gerente de programas e projetos da SP Leituras, Marcos Kirst, disse na fala de abertura que este treinamento tem intenção de transferir uma metodologia a ser incorporada à programação regular das bibliotecas. Estima-se que muitas oficinas vão acontecer até o final do ano nas cidades participantes, independente da programação do Viagem Literária, o que cria um importante efeito residual nestes municípios.

“O programa deste ano tem sido bem-sucedido: nos dois primeiros módulos, 35 mil pessoas participaram das nossas atividades. Agora queremos apresentar uma metodologia, que pode e deve ser adaptada por cada oficineiro voluntário. Temos uma grande expectativa do resultado que virá desta ação”, falou Kirst.
A professora e crítica literária comentou então sobre os princípios que considera essenciais e norteadores para a formação de novos escritores. Disse que em literatura não existe receitas ou regras, que a ideia é ser livre e que os voluntários podem adaptar, combinar e recriar e dar liberdade aos alunos para que criem suas próprias experiências. Entretanto, deu algumas dicas.
Uma delas é que a oficina trabalhe textos mais curtos, como crônicas e contos. É recomendado também promover de 8 a 30 aulas, com no máximo 20 alunos, tendo até dois encontros por semana. A idade mínima deve ser de 16 anos, mas convém analisar caso a caso. Reiterou que as tarefas feitas casa são tão importantes quanto a presença nas aulas. Estes exercícios são necessários para treinar os participantes a escrever (e reescrever). E que um bom fechamento para o curso é chamar um escritor local para participar da oficina e pedir considerações sobre os textos dos alunos.
Entre os princípios norteadores, destaca a importância da reescrita, que são as palavras que conduzem as ideias e não o contrário, que os textos devem buscar a simplicidade e concisão, que todas as decisões de um autor devem ser conscientes do efeito que ele quer causar, que é necessário ter originalidade e provocar um estranhamento no leitor.
“É uma alegria participar desta transmissão, ainda mais quando se tem bastante gente. Vale lembrar que os conteúdos aqui passados são guias condutores. Os voluntários devem pensar na oficina que querem fazer. As circunstâncias, a realidade nas cidades e os alunos vão ser diferentes, o que vai moldar o conteúdo e a dinâmica. Não estou dando regras, são apenas algumas considerações. Também foi surpreendente a participação online dos profissionais de biblioteca e voluntários que atuarão como facilitadores. Muitas questões foram colocadas e serviram para esclarecer dúvidas”, comentou Noemi.
A escritora é doutora em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo (USP), mantém o blog Quando nada está acontecendo e atua como crítica na Folha de S. Paulo. É jurada do Prêmio Oceanos, um dos mais importantes do país. Escreveu, entre outros, os livros A verdadeira história do alfabeto, vencedor do prêmio Brasília de Literatura de 2014 e Írisz: as orquídeas, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura no ano passado. O que os cegos estão sonhando? foi recentemente publicado nos Estados Unidos.
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