Rússia proíbe livros
01 DE outubro DE 2013
Bóris Kuprianov, diretor de programação do Festival de Livros de MoscouFoto: Kommersant[/caption]
Nas últimas semanas, duas obras literárias de tiragem limitada, publicadas pela editora russa Algoritmo nos anos de 2012 e de 2013, foram retiradas das prateleiras devido ao conteúdo supostamente extremista. Entre os títulos estão o romance Michael - o diário de um destino alemão, escrito pelo jovem Joseph Goebbels, e O terceiro caminho. Sem democratas ou comunistas, de Benito Mussolini.
A legislação russa proíbe a distribuição de livros com conteúdo radical fascista, nacionalista ou religioso. O controle é feito pelo Ministério da Justiça, que confirma o conteúdo extremista do livro por meio de uma ordem judicial e o inclui em uma lista de obras literárias proibidas.
Além disso, é vetada no país a promoção de pornografia e drogas ilícitas, mas sem mecanismos de censura, só a distribuição desse tipo de literatura é punida, não a publicação em si.
"Todos os países publicam livros de conteúdo perverso e até violento, e isso é uma prática necessária. Apenas os livros poderão nos mostrar a verdadeira origem do fascismo. Mas é preciso incluir comentários adequados, tanto de literatos, quanto de psicólogos, que expliquem os motivos do surgimento do fascismo por meio da obra analisada. A proibição é o caminho mais fácil, mas não o mais eficiente", diz o escritor e jornalista Dmítri Bikov.
"Sou contra a censura de livros porque isso sempre aumenta o interesse do público. Tirar um livro das prateleiras é reconhecer sua superioridade", disse o diretor de programação da Feira do Livro de Moscou, Bóris Kuprianov, ao jornal Gazeta Russa.
O próprio Kuprianov já foi vítima de sanções em 2007, quando cinco livros seus, publicados pela editora Ultra.Cultura, foram retirados das prateleiras devido a suspeitas de promoção de pornografia, drogas ilícitas e terrorismo.
Em 2004, as autoridades suspenderam a venda de sete títulos da casa, que foram destruídos e a oficina de impressão, multada. Em 2007, com as atividades suspensas, a editora foi vendida ao grupo AST.
O segundo semestre deste ano foi marcado por um escândalo ligado à literatura infantil. Aleksandr Khinstein, deputado da Duma de Estado (Câmara dos Deputados), afirmou ter encontrado indícios de russofobia no livro Bandeiras mundiais para crianças, da escritora francesa Sylvie Bednar, e se referiu à editora como "grupo de fascistas".
O motivo é que o deputado reprovou um trecho em que a faixa vermelha da bandeira da Lituânia é descrita como representação do "sangue derramado pelo povo lituano na luta contra os conquistadores russos e alemães".
O legislador logo publicou no Twitter suas constatações e avisou que denunciaria o livro ao Ministério Público. As grandes livrarias resolveram não esperar os resultados da investigação e devolveram as tiragens à editora.
A comunidade literária apoiou a casa editorial e publicou uma carta aberta afirmando que "a situação atual não traz nenhuma certeza de um bom futuro para o mercado. As livrarias e as distribuidoras se encontram obrigadas a reagir a qualquer declaração das autoridades, mesmo à custa de sua reputação ou estabilidade financeira".
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