“Quero ler todos os livros do mundo”, diz a escritora Natalia Timerman
12 DE setembro DE 2022
Crédito: SP Leituras Entre o desejo de ser escritora e o sonho de infância, o de
‘ler todos os livros do mundo’ - mesmo concluindo que, na prática, isso seja
impossível -, a psiquiatra formada pela Unifesp, mestre em psicologia e
doutoranda em Literatura pela USP, Natalia Timerman, se consolida, atualmente,
como importante representante da literatura brasileira contemporânea.
A Literatura nunca deixou de cruzar seu caminho. Da busca constante pelo equilíbrio entre as atividades literárias, a medicina e a maternidade, surge a matéria prima para a construção de suas narrativas, impressas nos livros Desterro: histórias de um hospital-prisão (2017), Rachaduras (2019) e Copo Vazio (2021). E para falar sobre qual o lugar que a escrita ocupa em sua vida e como a ficção fornece meios para alcançar a complexidade do mundo real, Natália conversou com o jornalista Manuel da Costa Pinto no programa Segundas Intenções, realizado na BSP, no último dia 10 de setembro.
Durante o encontro, a plateia pode participar de instigantes
conversas sobre temáticas transversais às atividades profissionais e pessoais
da autora, como ghosting, frustrações em relacionamentos, as fronteiras
entre o público e o privado nas redes sociais, além do papel da literatura para
escrever e processar o inenarrável - caso do relato da experiência Desterro:
histórias de um hospital-prisão (Elefante, 2017). No livro, ela
compartilhou histórias, personagens e o cotidiano do seu trabalho como
psiquiatra no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, em São Paulo, onde
atuou por quase uma década.
Além de trazer o panorama do sistema carcerário no país, a
obra descreve a estrutura de desumanização dos presos, os desafios e
dificuldades de tratar os problemas psiquiátricos dos encarcerados e chama a
atenção para a maneira estereotipada com que detentos e funcionários se
comunicam uns com os outros. Relata também sobre a maternidade no cárcere e os
efeitos que o ambiente prisional tem sobre os bebês. Natália comentou sobre seu
papel em escrever histórias no sentido de superar estigmas.
Seu segundo livro é uma coletânea de contos de ficção, Rachaduras (editora Quelônio), indicado ao Prêmio Jabuti. Diversos temas trabalhados pela autora nesta obra lidam com a maternidade e as contradições de ser mãe. Muito de sua própria experiência acabaram servindo de fonte inspiradora para os textos. Já em 2021, publicou o seu primeiro romance pela editora Todavia, Copo Vazio, um dos mais vendidos de 2021, que aborda o ghosting e a dificuldade de estabelecer relacionamentos afetivos verdadeiros na era de aplicativos e sites de namoro.
Natalia Timerman continua fazendo da Literatura a sua
morada, em que a escrita e a leitura acabam sendo a mesma coisa, ‘o mesmo
lugar’, segundo ela. Sobre sua vida de leitora, também segue com o mesmo sonho
de ‘ler todos os livros’. Mas com Clarice Lispector, sua grande referência
literária, acaba sendo diferente: “Não queria ler tudo para não acabar”,
comenta.
Para ler!
A íntegra da entrevista com o escritora pode ser vista na
página do Facebook da BSP.
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