Quem disse que brasileiro não lê?
15 DE julho DE 2014
Observa-se nessas estatísticas oficiais do Ministério da Cultura que, em números absolutos, os beneficiários do programa aplicaram pouco mais de R$ 12 milhões em leitura nos primeiros seis meses de sua execução prática. Trata-se de um dos mais importantes investimentos que se pode fazer, considerando os dividendosobtidos no mercado de trabalho, na formação escolar e acadêmica e na vida. Afinal, aquisição de informação e conhecimento contribui de modo muito significativo para a boa formação e o desenvolvimento dos indivíduos.
Os dados podem parecer surpreendentes ante o índice histórico de leitura no Brasil, muito abaixo do que se observa nas nações desenvolvidas e atrás também de alguns emergentes, como a nossa vizinha Argentina. No entanto, os resultados do Vale Cultura, incontestáveis quanto à opção pelos livros, jornais e revistas no primeiro semestre deste ano, referendam na realidade do mercado uma tendência que já havia sido apontada na última edição da pesquisa Retratos da Leitura.
Realizado pelo Instituto Pró-Livro — em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) —, o estudo havia demonstrado, em 2012, que metade dos 178 milhões de leitores em potencial do país (habitantes com 5 anos ou mais) dedicara-se à leitura de pelo menos uma obra no ano anterior. Estamos falando de 89 milhões de pessoas. Interessante lembrar que 64% delas disseram perceber os livros como “fonte de conhecimento para a vida”.
O paradigma de que o brasileiro não gosta de ler vai sendo derrubado à medida que a população tem mais acesso a livros, jornais e revistas. Estamos assistindo a uma paulatina mudança histórica. São várias as causas dessa transformação, dentre elas a democracia, a liberdade de imprensa e expressão, a estabilidade da moeda, a maior inclusão socioeconômica, programas como o Vale Culturae de distribuição de obras didáticas, literárias e paradidáticas aos alunos das redes públicas dos ensinos fundamental e médio.
É preciso aproveitar bem essa tendência, criando-se um círculo virtuoso impulsionado pela cultura e apropriação do conhecimento pelos brasileiros. Isso é determinante para o desenvolvimento nacional, cuja conquista ainda temos um longo caminho a percorrer no tocante ao aperfeiçoamento do Estado, à retomada de níveis mais consistentes e duradouros de crescimento econômico, à distribuição de renda e à democratização das oportunidades. Como se observa, a leitura é protagonista dessa história.
Karine Pansa é presidente da Câmara Brasileira do Livro
Fonte: O Globo
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