O Leitura ao Pé do Ouvido apresenta trecho do livro O chamado de Cthulhu e outros contos
16 DE dezembro DE 2022
O Leitura ao Pé do Ouvido apresenta "O chamado de Cthulhu e outros contos", de H. P. Lovecraft. H.P. Lovecraft nasceu em 20 de agosto de 1890 na cidade de Providence, Rhode Island, nos Estados Unidos.Produziu inúmeros contos, ensaios e romances de fantasia e terror. Seus trabalhos, inspirados constantemente por pesadelos, são discutidos até hoje por uma legião de leitores impactados pela sua mitologia repleta de simbolismos. Com apenas um romance, O Caso de Charles Dexter Ward, vários contos que o tornaram famoso. Durante sua vida, tinha um número reduzido de leitores, que cresceu com o passar das décadas até fazer do escritor um dos mais influentes da literatura do século XX. Seus textos eram cada vez mais complexos e extensos, dificultando as vendas. Em 1936, o cancro intestinal que o afetava evoluiu muito. Incapaz de suportar tantas dores, ele se internou em março de 1937 no Hospital Memorial Jane Brown, onde faleceu no dia 15 aos 46 anos de idade. H.P. Lovecraft foi sepultado no jazigo da família Phillips três dias depois. Hoje, seu túmulo é o mais visitado do cemitério Swan Point. Ouça aqui o trecho que selecionamos para você.
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Trecho lido:
A Música de Erich Zann
Seria inútil tentar descrever o modo como Erich Zann tocou naquela noite pavorosa. Foi mais terrível do que qualquer coisa que eu jamais tivesse ouvido, porque dessa vez eu podia ver a expressão no rosto dele e ter certeza de que sua motivação era o medo em estado bruto. Zann tentava fazer barulho; afastar alguma coisa ou abafar alguma outra — o quê, eu não era capaz de imaginar, por mais prodigioso que me parecesse. A execução tornou-se fantástica, delirante e histérica, mas manteve todas as qualidades do gênio supremo que aquele estranho senhor possuía. Eu reconhecia a ária — era uma animada dança húngara, bastante popular nos teatros, e pensei por um instante que era a primeira vez que eu ouvia Zann tocar a obra de um outro compositor.
Cada vez mais altos, cada vez mais frenéticos soavam os gritos e os resmungos da viola desesperada. O músico pingava uma quantidade extravagante de suor e retorcia-se como um macaco, sempre com o olhar fixo na janela de cortinas fechadas. Naquele esforço insano eu quase distinguia a sombra de sátiros e bacantes dançando e rodando ensandecidos por entre abismos de nuvens e fumaças e relâmpagos. Então pensei em ouvir uma nota mais estridente, mais constante, que não emanava da viola; uma nota calma, ponderada, resoluta e zombeteira vinda de algum ponto longínquo no Ocidente.
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