No Segundas Intenções, a escritora Bruna Beber fala sobre a poética da cidade
23 DE fevereiro DE 2021
“A rua me criou e me fascina”, diz a convidada do Segundas Intenções Online de fevereiro, na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL), que foi entrevistada por Manuel da Costa Pinto. Bruna encontrou na rua a palavra e a voz circulante dos rappers, do hip hop nos vagões de trem, pichações, grafites e pensamentos de autores anônimos escritos nos muros.
[caption id="attachment_67447" align="aligncenter" width="874"]
A autora foi entrevistada pelo jornalista Manuel da Costa Pinto.[/caption]“Para qualquer lugar que eu olhasse, havia um tipo de comunicação, havia palavras. E era esse o meu desejo, ver a minha palavra circular. Poesia para mim é palavra e som. Palavra e voz”.
Acostumada à aridez da cidade, Bruna deixou o caos da Baixada Fluminense para encontrar outro, em São Paulo, onde vive há 14 anos. Alimentada pelo universo urbano e suas linguagens, a poeta teve também a influência do ambiente familiar. Cresceu cercada de livros e música. E entre os parentes, professoras de literatura e língua portuguesa. Na infância, passava muito tempo na casa das avós, convivendo com pessoas que gostam de contar histórias e afinando os ouvidos.
Na escola, entrou em concursos de poesia e começou a escrever letras de rap e funk. “Para jovens como eu, o que mais a gente almejava era ser era uma MC”, diz. Por meio da internet, teve contato com os primeiros blogs e revistas literárias e garimpou, por conta própria, a obra de poetas como Alice Ruiz, Paulo Leminski, Ledusha Spinardi.
Bruna é autora de uma poesia que, frequentemente, extrai expressões da vida cotidiana e as desloca para um novo significado. “Vou acessando mistérios próprios, em correspondência com os mistérios que eu identifico no mundo, e é cada vez mais assim que construo a minha poética, sem salva-vidas. Essa aventura é o que me faz escrever, partir e não saber aonde vou chegar”.
Na poesia, publicou cinco obras. Seu livro de estreia foi A fila sem fim dos demônios descontentes (2006). Depois vieram Balés (2009), Rapapés & apupos (2012), Rua da Padaria (2013) e Ladainha (2017). Também escreveu Zebrosinha, para crianças. Seus poemas foram publicados em antologias na Argentina, Espanha, Estados Unidos e México. Como tradutora do inglês para o português, Bruna assinou obras de Shakespeare, Lewis Carroll e Agatha Christie. Também traduziu livros infantis.
Em janeiro, Bruna defendeu sua dissertação de mestrado pela Unicamp sobre a poeta brasileira Stella do Patrocínio, internada por 30 anos na Colônia Juliano Moreira, instituição para doentes psiquiátricos no Rio de Janeiro, onde viveu também Arthur Bispo do Rosário. A dissertação se chama Uma encarnação encarnada em mim – cosmogonias e encruzilhadas em Stella do Patrocínio.
A íntegra do bate-papo, você pode assistir no nosso canal no YouTube ou aqui.
[caption id="attachment_67038" align="aligncenter" width="702"]
Na infância, a autora passava muito tempo na casa das avós, convivendo com pessoas que gostam de contar histórias e afinando os ouvidos. Foto: Renato Parada.[/caption]
Notícias
Do rolo de papiro ao livro digital: a longa aventura do livro
No Dia Internacional do Livro, uma viagem pelas origens da leitura, e como diferentes suportes sempre coexistiram e se complementam.
Postado em 23 DE abril DE 2026
Visita técnica ao Mundo do Circo reforça integração cultural no Parque da Juventude
Equipes da SP Leituras conheceram equipamento do Governo de São Paulo voltado a tradição circense
Postado em 22 DE abril DE 2026
Dia Nacional da Biblioteca celebra a transformação desses espaços ao longo do tempo
Lugar de convivência, criação, escuta e participação
Postado em 09 DE abril DE 2026
Mais livros, menos telas: o que a ciência diz sobre infância e leitura
No Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, dados mostram como o contato com os livros pode impactar o desenvolvimento cognitivo, emocional e educacional das crianças
Postado em 03 DE abril DE 2026
