Modernos antes de 22
07 DE dezembro DE 2021
Para dar andamento às comemorações da Semana de Arte Moderna de 22, a Biblioteca de São Paulo realizou em novembro a oficina Modernos, antes de 22, ministrada pela professora de literatura da USP de Guarulhos, Francine Ricieri; e a palestra João do Rio e a modernidade no jornalismo, com as professoras da Unesp, Tania Regina de Luca e Sílvia Maria Azevedo.
Nos quatro encontros da oficina Modernos, antes de 22, que aconteceu nos dias 6, 13, 20 e 27 de novembro, os participantes conheceram a produção de textos de poetas e escritores situados cronologicamente nas duas últimas décadas do século XIX e nas duas primeiras décadas do século XX. Entre eles, estão Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraes, Gonzaga Duque, Pedro Kilkerry, João do Rio e Gilka Machado.
Além de revelar uma produção cultural pouco divulgada, a oficina teve o propósito de mostrar como os autores do simbolismo abriram as portas para o grupo de modernistas, visto que seus trabalhos continham formatos inovadores e eram bastante polêmicos para a época. A professora Francine ainda apresentou o contexto pessoal e social de cada escritor destacado na oficina e, no fim dos encontros, os alunos foram convidados a produzir uma resenha crítica de algum dos textos discutidos durante as aulas.
Ainda no dia 27 de novembro, aconteceu a palestra sobre o escritor, jornalista e teatrólogo João do Rio. Para compreender sua produção literária, primeiramente, foi apresentada a situação política, econômica, intelectual e social do Rio de Janeiro nos anos 1870, cidade de nascimento do escritor. Posteriormente, as professoras falaram sobre sua produção textual inovadora, que trazia uma radiografia das ruas da cidade. Entre seus entrevistados preferidos estavam pessoas sem qualquer projeção social e que viviam à margem do processo civilizatório, como prostitutas, trabalhadores braçais e presidiários.
João do Rio também era especialista em abordar assuntos polêmicos, como as diferentes religiões e a exploração do trabalho infantil. É considerado o inventor de um estilo jornalístico utilizado com frequência na atualidade: a crônica-reportagem. Inimigo declarado de Machado de Assis, conseguiu entrar para a Academia Brasileira de Letras em 1910. Entre seus livros mais populares está A alma encantadora das ruas, lançado em 1908.
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