Mauricio de Sousa e convidados nacionais e estrangeiros são destaques do Seminário Biblioteca Viva
17 DE novembro DE 2014
Após a abertura, com a fala do Secretário Estado da Cultura, Marcelo Mattos de Araújo, a primeira palestra foi um panorama sobre as bibliotecas colombianas. A convidada Sílvia Castrillón, da Associação Colombiana de Leitura e Escrita (Asolectura), brincou, dizendo que ia falar mais dos desafios e frustrações, do que os acertos no país sul-americano. "Para que servem as palavras, se elas abrem a porta errada? Queremos incentivar a leitura como um meio que busque sentido, que mostre quem somos e nosso lugar no mundo", comentou a colombiana.
Mauricio de Sousa subiu ao palco falando que seria uma pessoa diferente se não frequentasse biblioteca da sua cidade quando criança. Ainda jovem, chegava a ler um livro por dia. Quando se mudou para São Paulo, mostrou ao editor de arte do jornal Folha de S. Paulo alguns dos seus desenhos. O editor lhe disse: "desista! Desenho não dá dinheiro". Mas ele perseverou e hoje comanda uma empresa com 200 funcionários, que é responsável por 86% do mercado brasileiro, com atuação em mais de vinte países, e que edita cerca de 2 milhões de livros em parceria com 22 editoras brasileiras. "O livro é o momento nobre da literatura. Sempre quis publicar livros", comentou, ao contar diversos causos e entreter a plateia.
MAIS GIBIS
A parte da tarde do Seminário Biblioteca Viva também discutiu as HQs como forma de arte e de entretenimento. O chileno Gonzalo Oyarzún, do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas do Chile, falou que a leitura mais pedida nas bibliotecas chilenas são os gibis do personagem Condorito, popular no país. "Muitos acham que a leitura de gibis não contam. Como se os livros fossem a única leitura que existe. Algumas HQs são mais populares entre os adultos e jovens do que em crianças. Os quadrinhos são uma ferramenta para conquistar e dinamizar outros tipo de leitura". A fala de Gonzalo encontrou eco na da brasileira Patrícia Pina, da Universidade Estadual da Bahia, com quem ele dividiu a mesa-redonda. Para ela, "o leitor é aquele que pode ler várias linguagens e muitos professores não estão preparados para ensinar usando quadrinhos."
A experiência da Catalunha foi o tema da palestra de Carme Fenoll, que trabalha neste setor para o governo da região da Espanha. Ela afirma que lá as bibliotecas são os equipamentos mais próximos do público, especialmente nas pequenas cidades, mas não são os que mais atraem visitantes. A sugestão dela é dinamizar essa relação entre leitor e visitante de biblioteca. Entre os projetos, estão palestras com editores de livros para bibliotecários, clube de leituras voltados para teatro e música para jovens, uma troca de experiências a Wikipedia, e até uma parceria com vinícolas. "Mas nada disso seria possível sem as pessoas. O capital humano é o mais importante."
Para finalizar, foram realizados os painéis, em 15 minutos, com a exposição de diversos cases de sucesso de bibliotecas no Brasil. Confira a programação de terça-feira, 18 de novembro, no link.
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