Mario Prata participa de debate na Biblioteca de São Paulo
30 DE setembro DE 2013
O escritor Mario Prata participou de um bate-papo na Biblioteca de São Paulo (BSP) neste sábado (28/9) para discutir o gênero romance policial. A iniciativa fez parte do projeto Encontro com Autores e Ideias, idealizado pela jornalista Mona Dorf, com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, dentro do Proac – Programa de Ação Cultural 2013.
Prata falou que, apesar de populares, os livros policiais sempre foram considerados uma literatura marginal pela crítica e por parte do público. Citou grandes nomes de autores que consagraram o gênero, como Edgar Allan Poe; Arthur Conan Doyle, criador do Sherlock Holmes; Georges Simenon, que fez fama com o inspetor Jules Maigret; Agatha Christie, autora de dezenas de livros policiais, e o brasileiro Rubem Fonseca.
Uma das curiosidades é que a partir da década de 60 existiu uma ruptura neste tipo de romance. Os detetives passaram a envelhecer com a sua geração de leitores, algo inédito na época, e que pode ser verificado em obras recentes como a trilogia Millennium, do sueco Stieg Larsson ou nos livros do escritor italiano Andrea Camilleri, um dos seus escritores preferidos. “Atualmente, a literatura policial é a melhor do mundo, com personagens bem construídos, e não pode ser mais considerada um gênero raso”, relatou.
A partir do início da década, o escritor radicado em Florianópolis, passou a se dedicar e estudar a literatura policial. Conta com uma biblioteca de 800 títulos em sua casa, boa parte deles não disponíveis no mercado brasileiro. Um dos seus personagens mais marcantes é o detetive Ugo Fioravanti Neto, protagonista de dois de seus livros no gênero: Sete de paus (2008) e Os viúvos (2010). Uma nova obra que completará a trilogia deve ser lançada nas lojas em 2014.
Prata também comentou sobre o novo mercado de livros digitais, que na sua visão, está sendo explorado de maneira incorreta pelas editoras no Brasil e no exterior. Para ele, falta uma experiência multimídia nas obras lançadas em lojas digitais. Exemplificou que ao ler alguns romances, tem a curiosidade de procurar os cenários dos livros na internet, por meio do Google Earth. Chegou até mesmo a localizar um hotel na Noruega. “Os livros digitais são apenas uma versão em texto das obras físicas. Falta as editoras adicionar mais informações (imagens, mapas, links, etc, o que tornariam a leitura mais interessante para o leitor”, comentou.
O escritor tem uma extensa carreira em diversas áreas como teatro, cinema, dramaturgia, televisão. Um dos seus maiores sucessos na televisão foi a novela Estúpido cupido (1976), as peças de teatro Fábrica de chocolate (1979) e Besame mucho (1982) e os livros Diário de um magro (1997), Minhas mulheres e meus homens (1998), entre outras obras de destaque. Tem no currículo 3 mil crônicas e cerca de 80 títulos, entre romances, livros de contos, roteiros e peças teatrais. Recebeu 18 prêmios nacionais e estrangeiros, com obras reconhecidas no cinema, literatura, teatro e televisão.
O escritor fechou o ciclo de dez debates do Encontro com Autores e Ideias que abordaram diferentes gêneros literários ao longo do ano, sempre como ponto de discussão a obra dos convidados. O projeto no mês de março com Andrea Del Fuego falando sobre miniconto. O programa também recebeu Humberto Werneck e Ivan Marques para abordar a crônica. O escritor e roteirista Marçal Aquino traçou um paralelo entre literatura e cinema e o João Anzanello Carrascoza falou sobre conto. A literatura que nasce nos blogs e redes sociais foi tema de Luiz Bras (ex-Nelson de Oliveira) e Ivana Arruda Leite.
O tema poesia contou com a participação de Annita Costa Malufe, Angelica Freitas e Ivan Marques. O escritor Luiz Ruffato conversou sobre literatura epistolar, enquanto Beatriz Bracher e Ricardo Lísias falaram, no último encontro do primeiro semestre, sobre as estratégias da criação de um bom romance. Com biografia, Fernando Morais e Lira Neto abriram o segundo semestre falando sobre grandes histórias de vida que foram transformadas em livros, como Paulo Coelho e Getúlio Vargas.
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