Mariana Paz conta que os livros sempre foram sua melhor companhia
15 DE junho DE 2022
Crédito: Equipe SP Leituras A artista plástica e poeta Marina Paz começou a ler cedo. Primeiro, em sala de aula; depois, ao frequentar assiduamente a biblioteca da escola. Criança solitária e tímida, percebeu nos livros uma fiel companhia. Das aventuras infantojuvenis passou para textos mais densos. Perambulou por diversos estilos, como filosofia, esoterismo, zen-budismo e autoajuda, até achar o seu lugar nas obras de Adélia Prado, Machado de Assis, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Isabel Allende. “Quando escrevo me sinto visitada por todos esses autores”, diz a escritora no bate-papo realizado na Biblioteca de São Paulo, no dia 11 de junho, com mediação do jornalista Manuel da Costa Pinto. Autora de dois livros de poemas, Verbo do rio e A matéria mais suja do dia, Mariana se divide entre a escrita e as artes plásticas. Seus livros, inclusive, foram ilustrados por ela mesma.
De voz macia e semblante tranquilo, Mariana tem em suas feições um ar de melancolia. É dessa inquietude interior que nasce a inspiração para o seu fazer poético e artístico. Suas produções também possuem uma forte ligação com a natureza e como tal têm o seu próprio tempo para florescer. Verbo do rio, por exemplo, não foi uma obra pensada, ela é um recorte de vários poemas produzidos ao longo de cinco anos. Algo tão pessoal que para transformá-lo em livro a escritora precisou da ajuda de uma editora. “Ele é o resultado de tudo o que escrevi e desenhei sem pretensão por vários anos em um caderno com capa de couro. Pensamentos que não tive a coragem de mostrar para ninguém e precisei fazer uma seleção antes de entregar para a edição”, conta.
Já A matéria mais suja do dia foi escrito sob o efeito dos versos do poeta português Herberto Helber. “A poesia dele me atiçava, atingia o meu corpo, era muito forte. A partir daí, comecei a ter uma relação mais próxima com a escrita, ela se tornou praticamente uma missão, uma escrita que vem antes mesmo da percepção. Então, me deixei dominar pelo texto e ele aconteceu de forma natural”, descreve Mariana.
Nascida e criada em Belo Horizonte, a poeta passou uma temporada em Nova York, aos 15 anos. Depois mudou-se para Novo Hamburgo (RS), cidade em que não guarda boas recordações por não ter uma vida cultural pulsante. Atualmente, mora com o marido e os filhos em Brumadinho, cidade destruída pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 2019. “Essa época foi um período de intenso luto para todos nós”, destaca.
Aos associados da BSP, Mariana indica a leitura das poesias completas de seus poetas favoritos: Herbert Helder, Bashô, Ondjaki, Adélia Prado, Manuel de Barros e Sophia de Mello Breyner Andresen.
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