Literatura indígena como disciplina universitária
28 DE março DE 2017A aula, oficialmente nomeada como “Tópicos Especiais de Literatura”, será ministrada pelo professor de literatura Pedro Mandagará e não tem pré-requisito. Ou seja, está aberta à toda comunidade acadêmica. Por isso, as inscrições acabaram rapidamente e agora só é possível assistir às aulas como ouvinte – sem aproveitamento de créditos para a formatura.
Além de utilizar as obras escritas por indígenas, Pedro Mandagará também trabalha com romancistas, filósofos e antropólogos que abordam o tema. Entre eles, estão nomes célebres como Mário de Andrade e Claude Lévi-Strauss.
Sobre o professor
Nascido em Porto Alegre (RS), Pedro Mandagará tornou-se professor de literatura na Universidade Estadual de Roraima em 2014. Lá, teve acesso aos textos produzidos por povos indígenas da Amazônia (AM). Ao ser transferido para a UnB, em setembro de 2015, resolveu transformar o assunto em tema de disciplina.
Apesar de a produção literária indígena ser desconhecida de boa parte das pessoas, o professor afirma que ela sempre existiu entre os nativos. “Além de produzir gêneros literários tradicionais como contos, histórias infantis e romances, eles mantêm viva a literatura oral, que resiste ao genocídio cultural”, conta.
Ainda assim, o mercado editorial resiste em publicar as obras criadas por indígenas, sendo um dos principais obstáculos que os autores encontram ao divulgar seus trabalhos. Por isso, muitos livros são feitos em grupos ou com a ajuda de acadêmicos e especialistas.
É o caso de “A queda do céu”, escrito pelo pajé ianomâni Davi Kopenawa em parceria com o antropólogo Bruce Albert. A obra trata da agressão a esse povo indígena com a abertura da estrada perimetral Norte e a luta pela demarcação de suas terras.
No link original da matéria você encontra trechos de textos.
Fonte: http://www.metropoles.com/
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