Humberto Werneck no Segundas Intenções
05 DE agosto DE 2016
A conversa começou com Werneck falando que está escrevendo a biografia de Carlos Drummond de Andrade. Afirmou que está ‘engatinhando’ neste projeto e que tem muito trabalho pela frente. O jornalista já escreveu outras reportagens autobiográficas como O santo sujo: a vida de Jayme Ovalle¸ sobre o compositor, diplomata e poeta Jayme Ovalle; O desatino da rapaziada, que fala de toda uma geração escritores mineiros; e Tantas Palavras, que conta causos da vida de Chico Buarque.
Em seguida, Costa Pinto comentou que projeto da literatura modernista - como a criação de uma forma de linguagem que rompe com o tradicional ou a valorização do cotidiano - foi realizado com muito sucesso na crônica. E Minas Gerais foi um grande celeiro de escritores deste gênero. Werneck pode ser considerado um especialista na área, já que conviveu e pesquisou sobre grandes nomes mineiros como o próprio Drummond, Cyro dos Anjos, Murilo Rubião, Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, entre outros.
Para ele, esses autores escreviam em jornais e revistas como forma de ganha-pão e por falta do que fazer em Belo Horizonte, que na época tinha um ambiente moralmente abafado. “Era como se a escrita fosse um substitutivo da vida”. Não por coincidência, Werneck também é nascido em Minas Gerais e se mudou para São Paulo na década de 70.
A conversa enveredou para um depoimento sobre Jayme Ovalle, que nas palavras de Werneck foi ‘um grande artista sem arte’. Esse personagem folclórico foi compositor, poeta e influenciou toda uma geração de intelectuais. Tinha uma graça desconcertante, mas não deixou um legado ou uma obra póstuma. Grande conhecedor da música popular, Ovalle compôs Azulão, em parceria com Manuel Bandeira. E Vinicius de Moraes lhe dedicou uma música. A biografia também recupera vida familiar e amorosa deste paraense, a boemia no Rio de Janeiro e seu trabalho como servidor público.
Se Ovalle era um desconhecido do grande público, Drummond é o oposto: talvez seja o poeta brasileiro mais popular do século XX. Uma figura que transitou no conto, crônica e no jornalismo e influenciou uma comunidade de leitores. Sobre isso, ele faz uma interessante comparação. Diz que os navegadores do passado saíram de Portugal para comprar noz-moscada na Índia e descobriram o Brasil e o Novo Mundo. Ele acha que o mesmo pode acontecer com Drummond: à medida que for investigando, vai descobrir muitas novas e boas histórias.
“Sou um repórter fuçador e gosto do meticuloso trabalho de pesquisa. A coisa que mais quis na vida era ser escritor. Eu sempre escrevi para mim. Se eu gostar, é possível que outros também gostem. Acredito também que quando a forma de dizer alguma coisa é tão importante quanto o que está escrito, ali existe arte”.
A conversa no Segundas Intenções fechou sobre o livro O pai dos burros: dicionário de lugares-comuns e frases feitas. A obra reúne clichês de linguagem que ele colecionou obsessivamente por quase 50 anos: ao todo são 5.400 frases feitas. “A ideia não é criar um index proibitivo, mas um espaço para a reflexão sobre o uso destes chavões”, finalizou.
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