Há 46 anos morria Guimarães Rosa
19 DE novembro DE 2013

Há 46 anos, em 19 de novembro de 1967, morria o escritor mineiro João Guimarães Rosa.
Médico e diplomata, os contos e romances escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. Sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, marcada pela influência de falares populares e regionais que, somados à erudição do autor, permitiu a criação de inúmeros vocábulos.
Em 1925, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Em 1930, se formou e passou a exercer a profissão em Itaguara (MG), localidade onde passou a ter contato com elementos do sertão que serviram de referência e inspiração para sua obra.
Em 1933, aprovado em concurso para o Itamaraty, passou alguns anos de sua vida como diplomata na Europa e na América Latina. No início da carreira diplomática, exerceu, como primeira função no exterior, o cargo de Cônsul-adjunto do Brasil em Hamburgo, na Alemanha, de 1938 a 1942. No contexto da Segunda Guerra Mundial, para auxiliar judeus a fugir para o Brasil, emitiu, ao lado da segunda esposa, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, mais vistos do que as cotas legalmente estipuladas, tendo, por essa ação humanitária e de coragem, ganhado, no pós-Guerra, o reconhecimento do Estado de Israel.
Foi eleito, em 1963, para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
Realismo mágico, regionalismo, liberdades e invenções linguísticas e neologismos são algumas das características fundamentais da literatura de Guimarães Rosa, mas não as suficientes para explicar seu sucesso.
Você já leu Guimarães Rosa? A BSP possui algumas obras em seu acervo, veja:

Grande sertão: Veredas
Nesta obra, o autor utiliza da linguagem própria do sertão para que Riobaldo conte sua história. Rosa busca apresentar a vida dos personagens de seu próprio ponto de vista, narrando a vida de jagunço com suas características - o amor, a morte, o sofrimento, o ódio e a alegria.

Primeiras estórias
Esta obra reúne contos da literatura de Guimarães Rosa em que se sobressaem os costumes e a linguagem das gentes de Minas. Inclui o texto 'A terceira margem do rio', considerado clássico da literatura transformado em filme por Nelson Pereira dos Santos em 1993.

A hora e vez de Augusto Matraga
Novela primorosa, extraída do livro Sagarana, que expressa a força e o espírito das terras remotas de Minas Gerais e conta a história da queda de Nhô Augusto, um homem poderoso em busca de sua redenção a qualquer custo - 'Para o céu vou, nem que seja a porrete'.

O burrinho pedrês
Publicado pela primeira vez em 1946, O burrinho pedrês é uma história sugerida por um acontecimento real passado na terra de Guimarães Rosa, o interior de Minas Gerais, com um grupo de vaqueiros num córrego cheio.Aclamado por sua inventividade, seus experimentos linguísticos e sua técnica apurada, Guimarães Rosa mereceu de Sérgio Buarque de Holanda a seguinte declaração: “Tenho medo de tentar comparações. Não direi, por isso, que a obra de Guimarães Rosa é a maior da literatura brasileira de todos os tempos. Direi porém que nenhuma outra, de nenhum escritor, me deu até hoje, entre brasileiros, a mesma ideia de tratar-se de criação absolutamente genial.”

Manuelzão e Miguilim
As novelas que integram este volume foram publicadas originalmente no livro Corpo de baile, que depois foi dividido em três pelo autor. As duas histórias complementam-se, como um começo e um fim de vida - a constante e dolorosa descoberta do mundo pelo menino Miguilim, de 'Campo geral', e o relembrar por vezes também doloroso do vaqueiro sessentão Miguelzão, de 'Uma estória de amor'.
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