'Escrevo como a menina que eu fui', diz Aline Bei, no Segundas Intenções
22 DE agosto DE 2024
Crédito: Fotos: Saul Nahmias "Aline Bei é uma escritora que a gente pode considerar um fenômeno da literatura brasileira", provoca o jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto, logo na abertura do Segundas Intenções. O evento, que aconteceu no último sábado (17), lotou o auditório da Biblioteca de São Paulo (BSP) com pessoas vindas de todos os cantos da cidade – e até de outros estados – para ver e ouvir de perto sua autora favorita. "Ela já surgiu com uma linguagem muito particular, muito própria, muito incomparável", ele completa.
Formada em Letras (PUC-SP), Artes Cênicas (Teatro Escola Célia Helena) e pós-graduada em Escritas Performáticas (PUC-Rio), o primeiro livro de Aline Bei, O peso do pássaro morto (Nós), que narra a vida de uma mulher dos 8 aos 52 anos, tornou-se referência no cenário literário e ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura, em 2018, como Melhor Romance de Estreia. Em 2022, com Pequena coreografia do adeus (Companhia das Letras), que trata das complexidades humanas, foi finalista da mesma premiação na categoria Melhor Romance do Ano. A obra, que já ultrapassa 120 mil cópias vendidas, foi amplamente elogiada pela crítica e consolidou a autora como uma das principais figuras da nova geração de escritores no Brasil.
Aos 36 anos, a paulistana diz que a infância é um modo de pensar sua escrita: “escrevo como a menina que eu fui”. Mas como o livro não era um objeto comum em sua casa – “não venho de uma família de leitores” – suas primeiras lembranças remetem a um lugar especial do colégio “careta” em que estudava: “minhas primeiras memórias vêm da biblioteca. Embora no meu tempo ela fosse um lugar bastante silencioso porque ainda não tinha os saraus, oficinas e eventos culturais, e nem era tomada pelas vozes e corpos como é hoje, a gente tinha liberdade e autonomia para percorrer as prateleiras para encontrar livros e levar emprestado para casa. Minha mãe lia para mim e às vezes eu lia para ela”, relembra.
Aline afirma que nunca foi uma leitora prodígio e que lia livros apropriados para sua faixa etária. Durante a adolescência, mergulhou nas páginas de Harry Potter e na coleção Vaga-Lume. “Ter aqueles livros comigo por um tempo me deixava inquieta, porque eu queria tê-los para sempre. Penso que um livro nunca se esgota. Mesmo sendo tão jovem, já percebia que um livro é um lugar de retorno, especialmente quando desenvolvemos uma relação afetiva com a história, algo que nem mesmo o estudo da Literatura e suas teorias conseguem explicar completamente”, reflete.
Quando pensa no que torna uma obra especial, Aline menciona o contexto em que foi lida. “Às vezes, ganhamos um livro de presente ou ele foi indicado por um professor; todo esse entorno torna o livro especial para nós”, comenta. Ela ainda lembra que, na ausência de livros em casa, começou a usar sua memória para decorar as histórias e encená-las, o que eventualmente a levou ao teatro. “Eu não cheguei à literatura pela escrita”, conclui, sugerindo que essa prática de memorizar e encenar os livros marcou o início de sua jornada teatral.
Assista, abaixo, a entrevista completa com Aline Bei. Em outubro, a escritora viajará por quatro cidades paulistas com o módulo "Encontros com Escritores - Prêmio São Paulo de Literatura" do Viagem Literária 2024. Fique de olho na programação.
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