Curso compartilha dicas para incrementar mediação em clubes de leitura
12 DE novembro DE 2020
Comandado por Janine Durand e Luciana Gerbovic, o curso teve início com uma explanação sobre a origem dos clubes de leitura, na Inglaterra, no século XVIII, e a chegada deste tipo de iniciativa ao Brasil no século XXI. Estes verdadeiros espaços democráticos de escuta, fala e troca de experiências vão, como salientaram Janine e Luciana, muito além do debate sobre uma obra específica. Foram quatro encontros, totalizando 12 horas de curso, e as aulas seguintes trataram da prática propriamente dita; da vivência de clube de leitura a partir de um texto específico (abordando estratégias para aplicação e exemplos), além de curadoria e outros exercícios para que as dúvidas fossem sanadas também sobre o tema.
Janine e Luciana, que se conheceram por meio de um clube de leitura, quiseram saber quais as referências dos cerca de 50 participantes - vários de bibliotecas comunitárias - e pediram para que cada um destacasse um livro que estivesse lendo ou que tenha gostado muito. De diversas partes do País, a troca de experiências de leitura aproximou a todos, através do compartilhamento dos títulos; entre os citados constaram "Dois Irmãos" e "A Cidade Ilhada", de Milton Hatoum; e "Os Homens que Não Amavam as Mulheres", de Stieg Larson. E não foram poucos os comentários que uns fizeram às obras trazidas por outros.
A escuta, aliás, foi um dos aspectos mais ressaltados pelas ministrantes do curso. E nos clubes de leitura, trata-se de aplicá-la não só em relação à palavra dita, mas inclusive à não dita, ou seja, a observação da postura, dos olhares dos participantes. A dupla indicou a preferência na escolha de livros de ficção, para abrir ainda mais a interpretação e fabulação entre os participantes do clube. Janine e Luciana ressaltaram a oportunidade que estes espaços criam ao tirar as pessoas de suas zonas de conforto, apresentando temas outros que não os ligados ao cotidiano do núcleo. A ideia é que o leitor transite por outros lugares, abrindo o que chamam de "terceiro olho".
Várias referências constaram também do início dos encontros e, entre eles, "O direito à literatura", de Antonio Candido ("a literatura confirma e negra, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas"); e "Como curar um fanático", de Amos Oz ("a característica que define a boa literatura, ou arte, é a capacidade de fazer se abrir um terceiro olho em nossa testa [...] a literatura ruim não vai fazer abrir um terceiro olho. Vai simplesmente repetir o que já sabemos, e nos mostrar apenas o que já vimos."
Saiba mais sobre Janine Durand e Luciana Gerbovic
Janine Durand é fundadora da Jnana Consultoria – Educação, Cultura e Redes, pedagoga pela FEUSP, com MBA em Economia pela FUNDACE/USP e especialização em Políticas Públicas pela Escola de Governo de São Paulo. Há 20 anos se dedica às áreas de Educação, Cultura e Direitos Humanos. Implementou 200 clubes de leitura em escolas, penitenciárias, livrarias, bibliotecas e espaços culturais. É idealizadora e articuladora do programa Remição em Rede, que realiza clubes de leitura em penitenciárias do Estado de São Paulo, forma mediadores de leitura e pareceristas.
Luciana Gerbovic é graduada em Comunicação Social e mestre em Direito pela PUC-SP. É mediadora de clubes de leitura de literatura há mais de 10 anos em espaços públicos e privados e diretora da Escrevedeira Centro Cultural Literário, onde ministra oficinas de escrita e leitura de literatura e cursos de formação de mediadores de leitura. É co-articuladora do programa Remição em Rede, que realiza clubes de leitura em penitenciárias do Estado de São Paulo, forma mediadores de leitura e pareceristas.
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Foto: Reprodução.
Foto: Reprodução.
Luciana Gerbovic. Foto: Reprodução.
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