BSP recebe Fernando Morais e Lira Neto
12 DE agosto DE 2013

A Biblioteca de São Paulo recebeu neste sábado, 10 de agosto, os jornalistas e escritores Fernando Morais e Lira Neto para um bate-papo sobre o trabalho do biógrafo. Olga Benário Prestes, Assis Chateaubriand, Paulo Coelho, Getúlio Vargas, Maysa e Padre Cícero são algumas das personalidades cujas vidas foram pesquisadas pelos convidados e organizadas em formato de livro.
Sobre os critérios de escolha dos personagens, Lira Neto explicou que para render uma biografia a pessoa precisa ter ou ter tido uma existência tumultuada. “Eu nunca biografaria a Madre Teresa de Calcutá, por exemplo. Apesar de ser um personagem muito interessante, ela teve uma vida monocórdica e eu procuro pessoas que foram amadas e odiadas”, disse.
A jornalista Mona Dorf, mediadora do encontro, quis saber a seguir como eles lidam com a questão da veracidade e apuração dos fatos. “É muito subjetivo. Se você der o mesmo personagem e a mesma história para dois escritores, você terá duas histórias diferentes e verdadeiras. Seria muito pretencioso querer escrever A biografia, pois o olho do autor já faz uma seleção”, falou Fernando Morais.
No caso dos livros sobre Assis Chateaubriand e Paulo Coelho, Morais disse que os originas tinham o dobro de páginas em relação ao que realmente foi publicado. “Além do corte do autor, do corte do editor, tem também a avaliação do departamento jurídico da editora, que analisa se algo no texto pode trazer um processo depois.”
Quando perguntado se não faria uma autobiografia, Fernando Morais foi incisivo: “Minha vida é opaca, o que dá um pouco de cor é a vida alheia”, ao que Lira Neto replicou citando como exemplo o livro Minha história dos outros, de Zuenir Ventura, em que narra episódios que viveu e personagens que conheceu ao longo de quase 50 anos de jornalismo. “Se você não fizer, Fernando, faço eu!”, comentou Lira.
Os escritores contaram ainda curiosidades sobre seus livros e como uma visão diferenciada pode trazer boas histórias sobre os personagens retratados.
O segundo volume escrito por Lira Neto sobre a vida de Getúlio Vargas, lançado na última semana, tem uma passagem curiosa que define algumas ações do presidente.
“O Fernando [Morais] me passou um depoimento que a Alzira, filha de Getúlio, deu a ele sobre a morte do irmão caçula. No dia do velório, Getúlio pede que todos saiam da sala para ele ficar sozinho com o filho. Segundo Alzira, ele fica imóvel do lado do caixão por muito tempo e diz que não aceita que toda a vitalidade do garoto vá embora junto com a carne dele. Isso é definidor. Getúlio era agnóstico e esse momento foi uma guinada. Nos diários mesmo você percebe que ele começa a falar em Deus e se aproxima de uma espiritualidade. Para um historiador mais duro, isso seria irrelevante, mas para nós que procuramos alcançar e tocar a alma do personagem, compreendê-lo na sua dimensão cotidiana e sentimental é fundamental”, explicou Neto.
Já Fernando Morais disse que conheceu a história que norteia Corações Sujos por acaso, enquanto escrevia Chatô. “Descobri que o Chateaubriand tinha tido um romance com uma garota nissei e fui atrás dela para saber como tinha sido essa aproximação. Ela contou que o pai era linotipista do Diário de São Paulo e havia sido preso pelo Dops. Como o Chatô ligou para o governador e mandou soltá-lo, pai e filha foram depois agradecer pela gentileza e o interesse começou ali, mas a essa altura eu já não estava mais interessado no romance e sim no motivo que o pai dela tinha sido preso. Perguntei a ela se o pai era comunista e ela falou que ele era da Shindo Renmei. Quando ela percebeu meu interesse, ela engatou marcha ré e falou que não era nada, que era briga de família, mas o Dops não se mete em briga de família! Aí comentando com um amigo advogado levantamos o processo no Tribunal de Justiça e achamos 170 volumes. Era a ponta do novelo que me levou a desenterrar uma história completamente desconhecida.”
O próximo convidado do Encontro com Autores e Ideias será o escritor Mario Prata, no dia 28 de setembro, falando sobre romance policial.
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