Biblioteca é lugar de aprender crochê?
15 DE setembro DE 2011
[caption id="attachment_2938" align="alignnone" width="560" caption="Ozeane, à esquerda, auxilia sua irmã Alzenir na oficina de crochê"]
[/caption]Alzenir e Ozeane são de Alagoas e foi lá que começaram a desenvolver trabalhos artesanais. Elas faziam tapetes com tiras de sacolas plásticas, um trabalho manual feito com agulhas de madeira e ensinado pela tia das meninas. As irmãs começaram a trabalhar com o crochê depois que chegaram a São Paulo, há 11 anos. Alzenir afirma que aprendeu o básico sozinha, testando ideias e observando o trabalho de outras pessoas. Só depois começou a fazer um curso na área, o qual continua frequentando.

A aposentada Isabel de Sousa Silva, moradora do Alto de Santana, frequenta a oficina desde a primeira aula. Ela já frequentava a biblioteca com o filho Carlos Eduardo, de 11 anos, e foi assim que ficou sabendo das aulas e crochê. Enquanto a dona Isabel fazia oficina de crochê e de miçangas, o filho fazia oficina de Photoshop. Ela conta que é intimada pelo filho aos finais de semana, quando ele diz: "Mãe, vamos para a biblioteca fazer oficinas!". E tem mais: ele já perguntou à mãe se eles poderiam dormir na biblioteca.
Dona Isabel e o filho passaram as férias de julho dentro da BSP. Segundo ela, o comportamento e o aproveitamento do filho na escola melhoraram depois que ele começou a frequentar a biblioteca. Com o conhecimento adquirido na oficina, dona Isabel quer começar a fazer cachecóis para vender, o que vai garantir uma renda extra à família.

Já a aluna Kátia Adriana Teles, moradora do bairro da Liberdade, ficou sabendo da oficina através do site da BSP. Kátia estava pesquisando na internet onde poderia fazer um curso de crochê quando encontrou no site as informações sobre a oficina. "Ah, é gratuito, eu vou!", pensou Kátia quando descobriu a oficina.

Mas também tem vez para quem está começando, como a dona Irene Maria de Jesus, que ficou sabendo da oficina por meio do Ed Carlos, funcionário da biblioteca e representante da comunidade. Ed avisou dona Irene sobre a oficina e ela foi conferir. Passados 10 minutos, dona Irene já estava com um cachecol terminado nas mãos.


Crianças também participam, como as primas Ana Carla Mendes Silva, 10 anos, e Letícia Gomes de Aragão, 11 anos, que moram no bairro do Carandiru. As meninas fazem parte do projeto CCA Zaki Narchi e vão à biblioteca todos os dias, depois da escola, acompanhadas por educadores. Quando pedi para que elas me falassem mais sobre o projeto, Ana Carla nem pensou para responder: "As mães que trabalham inscrevem seus filhos no projeto para que eles não fiquem largados na rua".
E, quem diria, meninos também se interessam! Wilson Celestino, de 11 anos, abordou a professora para obter informações sobre a oficina. Ele disse que estará lá na próxima aula porque quer aprender a fazer cachecol para dar um de presente para a sua mãe. E aprende mesmo, viu! Eu mesma fui para registrar e voltei para casa com um cachecol. É isso mesmo! Além de aprender, você leva para casa a peça que fez.
Essa temporada da oficina de crochê, que teve foco na confecção de cachecóis, acaba na próxima quarta-feira, dia 21 de setembro. Se você perdeu, não se preocupe. A oficina volta em novembro com técnicas para fazer capas para livros, notebooks e porta-canetas, marcadores de livros, faixa de cabelo, colete de verão e muito mais, tudo em crochê. Fique de olho na programação aqui no site.
Texto e Fotos por Denise Trolezi
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