Bate-papo sobre bibliotecas com especialista inglesa
16 DE maio DE 2014
Sue Wilkinson é diretora executiva da Reading Agency, agência responsável por desenvolver as políticas e estratégias da organização na área de promoção da leitura no Reino Unido, trabalho feito em parceria com diversas organizações, incluindo editoras e bibliotecas públicas.
Com formação na área de museus, Sue foi uma das mentoras de uma metodologia para mensurar os impactos dos museus no aprendizado dos cidadãos ingleses. A tarefa levou três anos para ser concluída e envolveu cerca de 500 pessoas. Há três meses como diretora da Reading Agency, ela agora quer implementar a mesma ferramenta – já usada em países como Estados Unidos e Irã – para averiguar o impacto da leitura entre os britânicos.
A agência – que conta com 25 funcionários – tem diversos programas de incentivo à leitura e em parceria com as bibliotecas públicas do Reino Unido. Somadas, as ações atingem cerca de 1 milhão de jovens e crianças e distribuem cerca de 250 mil livros somente em um evento. “Acredito que as coisas mudam quando a gente lê. É possível inspirar novas ideias e criar uma possibilidade de futuro. Se a criança não lê, é como um jardim secreto que ela não consegue aproveitar”, comentou Sue.
Embora os programas da agência tenham estrutura comum, cada biblioteca no Reino Unido tem autonomia para modificar e adaptá-los para a sua realidade. Uma das iniciativas, por exemplo, é criar nas escolas um tempo de 30 minutos para leitura por puro prazer. Para dar certo, é realizado um trabalho prévio com as bibliotecas e professores.
Outra ideia visa incentivar a leitura nas férias escolares por meio de competição. Existem também ações para o incentivo e a curadoria de leitura, feitas por adolescentes voluntários, que dão exemplo e incentivam os mais jovens a gostar de ler.
A agência também é adepta de novas tecnologias e administra diversos portais com jogos e plataformas sociais de clubes de leitura virtuais, para que o leitor encontre conteúdos extras sobre obras lidas, e possa comentar e compartilhar experiências.
Durante a palestra, Sue organizou dinâmica com os profissionais de bibliotecas brasileiros com o intuito de trocar experiências. Ela ficou extremamente empolgada com as iniciativas brasileiras, como os ônibus-bibliotecas ou as fotos de usuários das bibliotecas publicadas nos jornais de pequenas cidades. Sue acredita que é necessário buscar novos leitores onde eles estão.
Por fim, a palestrante também falou que os desafios no Brasil são parecidos com os do Reino Unidos. “Todas as bibliotecas devem ter a mesma visão. Falar sobre leitura e mostrar como isso é importante. Um ponto que acho fundamental é que se os profissionais de bibliotecas não lerem, vai ser difícil convencer os outros a praticar a leitura, especialmente os mais jovens”, finalizou, ao seguir a tradição britânica de terminar o encontro pontualmente no horário combinado.
Notícias
Do rolo de papiro ao livro digital: a longa aventura do livro
No Dia Internacional do Livro, uma viagem pelas origens da leitura, e como diferentes suportes sempre coexistiram e se complementam.
Postado em 23 DE abril DE 2026
Visita técnica ao Mundo do Circo reforça integração cultural no Parque da Juventude
Equipes da SP Leituras conheceram equipamento do Governo de São Paulo voltado a tradição circense
Postado em 22 DE abril DE 2026
Dia Nacional da Biblioteca celebra a transformação desses espaços ao longo do tempo
Lugar de convivência, criação, escuta e participação
Postado em 09 DE abril DE 2026
Mais livros, menos telas: o que a ciência diz sobre infância e leitura
No Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, dados mostram como o contato com os livros pode impactar o desenvolvimento cognitivo, emocional e educacional das crianças
Postado em 03 DE abril DE 2026
