As múltiplas artes de Nuno Ramos
03 DE abril DE 2018
Quem participou do Segundas Intenções com Nuno Ramos, na BSP, não se arrependeu. E saiu do auditório da biblioteca feliz em ter conhecido detalhes sobre o processo de criação do artista, que transita por diversas mídias e formatos. Nuno foi generoso ao comentar e contextualizar sua própria trajetória em bate-papo com o também escritor Manuel da Costa Pinto, mediador da atividade mensal do espaço, e também ao compartilhar as motivações de várias de suas obras.

Na plateia, Carlos Fernandes aproveitou cada momento atentamente. Frequentador assíduo da biblioteca, Carlos veio do Tucuruvi, bairro também da zona Norte da capital paulista, especialmente para o Segundas Intenções e tem procurado participar dos encontros com escritores sempre que pode. Foi assim com Xico Sá, por exemplo, que ele destaca como um dos mais interessantes bate-papos nessa linha. Importante meio para promover a aproximação entre autores e leitores, os encontros têm sido inclusive recomendados por Carlos aos colegas da Faculdade de Letras.

Para o Segundas Intenções com Nuno, Carlos preparou-se, lendo algumas de suas obras como "O Pão do Corvo" e "Cujo". Para ele, a força da palavra foi o que mais chamou a atenção. E não foi por acaso. Segundo Nuno, a palavra é quase vista como um objeto em sua obra. O autor não esconde que adora a densidade da palavra e confessa que reescreve tudo. Segundo ele, trata-se de uma matéria muito fácil de manipular, em todos os sentidos. Carlos praticamente acenou concordando com o que já leu do autor. É tudo quase poético, como sinalizava o frequentador da biblioteca em comentário em voz bem baixa, entre as fileiras do auditório.

Nuno, que frequentou o Colégio Equipe onde integrou grupo que formou a banda Titãs, falou de artes plásticas e fez também referências aos materiais com os quais trabalha. E contou histórias sobre as origens de alguns de suas obras. Lembrou o projeto "111", que faz referência aos 111 mortos no presídio do Carandiru, local onde hoje está instalada a biblioteca, estabelecendo assim novos e antigos laços com a BSP.
Até referências futebolísticas foram lembradas durante o bate-papo, que terminou em aplausos e na aproximação definitiva entre artista e público, como era de se esperar. Ignácio de Loyola Brandão é o escalado para o Segundas Intenções de maio, na BSP.
(Fotos: Equipe SP Leituras)
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