Aniversário de Mario Quintana
30 DE julho DE 2013
Foto: Casa de Cultura Mario Quintana/ Dulce Helfer[/caption]Há 107 anos nascia o poeta, tradutor e jornalista Mario Quintana. Natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, publicou seu primeiro livro de poesia, A Rua dos Cataventos, em 1940, iniciando assim sua carreira de poeta, escritor e autor infantil.
Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, Mrs Dalloway, de Virginia Woolf, e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.
De 1953 a 1977, Quintana trabalhou no jornal Correio do Povo, como colunista da página de cultura, que saía aos sábados. Em 1966, foi publicada a sua Antologia Poética, com sessenta poemas, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus 60 anos de idade. No mesmo ano ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores de melhor livro do ano.
Em 1976, ao completar 70 anos, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio do governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 1980 ganhou o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
Faleceu em 1994, aos 88 anos.
Confira algumas das obras de Mario Quintana disponíveis no acervo da BSP.

Da preguiça como método de trabalho
A preguiça produtiva é na verdade o método de trabalho da poesia, escreve Quintana. Ela cria o tempo lento - observador, reflexivo, imaginativo - que possibilita o nascimento (ou renascimento) tanto do poema quanto da conversa inteligente entre amigos. O elogio do poeta à preguiça combina-se à rejeição de qualquer discurso grandiloquente. O gaúcho pratica como poucos a arte da conversa por escrito - atravessada de humor, pontuada por pequenas histórias e fábulas, cheia de conceitos preciosos sobre o ser do poético. O poeta proseia. Sem ostentar erudição, mas derramando sedução. E também revelando um pouco de seus encontros cotidianos, passados e presentes, sua existência de rijo cidadão porto-alegrense para além de seus oitenta e alguns anos.

Aprendiz de feiticeiro/ Espelho mágico
Este livro reúne duas obras de poesia de Mario Quintana - 'O aprendiz de feiticeiro' traz uma poesia com liberdade, em que o poeta solta sua criatividade e incorpora um clima onírico e mítico, de ressonância surrealista; já em 'Espelho mágico' o poeta apresenta exercícios rigorosos de concisão, a serviço da afirmação, sem arrogância, de sabedorias de vida.

A cor do invisível
Em 'A cor do invisível', de 1989, Quintana já octogenário exercitava mais uma vez a força poética de seu olhar de menino, potência reveladora do lírico que aborda o mundo como quem o vê pela primeira vez. Ao reunir poemas novos e antigos, o título tem tudo o que se espera de um livro de Quintana - a capacidade de tatuar a emoção e fabricar a memória afetiva de seus leitores.
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