Aniversário de Álvares de Azevedo
12 DE setembro DE 2014
Hoje, 12 de setembro, comemoram-se os 183 anos do nascimento do escritor Álvares de Azevedo.
Conhecido por fazer parte da segunda geração romântica (chamada também de ultrarromântica, byroniana ou mal-do-século), Azevedo escreveu os clássicos Noite na Taverna, em que cinco amigos se reúnem durante uma noite de tempestade e, sob os efeitos do vinho, contam histórias macabras de paixões e acontecimentos insólitos, e Lira dos vinte anos, coletânea de versos marcados pela profundidade e pelo sentimentalismo.
Em 1847, entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco para estudar Direito, onde, desde logo, ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias. Foi neste período que traduziu o quinto ato de Otelo, de Shakespeare; Parisina, de Lord Byron; fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano (1849); fez parte da Sociedade Epicureia; e iniciou o poema épico O Conde Lopo, do qual só restaram fragmentos.
Azevedo não concluiu o curso, pois foi acometido de uma tuberculose pulmonar, agravada por um tumor na fossa ilíaca, ocasionado por uma queda de cavalo. Faleceu aos 20 anos.
Suas principais influências são: Lord Byron, Goethe, François-René de Chateaubriand, e principalmente Alfred de Musset.
Na BSP você encontra:

Noite na taverna
Cinco amigos se reúnem durante uma noite de tempestade e, sob os efeitos do vinho e da atmosfera sombria, contam suas histórias macabras de paixões violentas e acontecimentos insólitos. Um clássico do nosso Romantismo, apresentado em texto integral, esta obra inaugurou a narrativa gótica em nossa literatura e consagrou seu autor.

Macário
A obra emprega aspectos do teatro, da prosa narrativa e da intimidade própria dos diários pessoais.

Lira dos vinte anos
De um lado, a voz lírica de Álvares de Azevedo evoca e contempla imagens femininas, lembranças de família e objetos prosaicos. De outro, ela ganha um tom de paródia para ironizar os excessos do sentimentalismo romântico. Em 'Lira dos Vinte Anos', a reflexão intimista e o tédio existencial se unem para gerar uma das grandes obras do 'mal do século'. Esta edição conta com ensaio introdutório, documentação iconográfica e elegantes ilustrações do artista plástico Ricardo Amadeo.

Melhores poemas: Álvares de Azevedo
Álvares de Azevedo deixou entre os seus contemporâneos a ideia de um gênio, cuja morte prematura, aos 20 anos de idade, impediu a plena realização de suas possibilidades. Quase um século depois, Mário de Andrade voltava a exaltar a genialidade do poeta, "não do gênio atingível através das paciências compridas, mas do gênio independente, por assim dizer espontâneo, capaz de criar uma obra formidável".A espontaneidade foi, sem dúvida, um dos traços marcantes do poeta paulista, que mesmo sem atingir a genialidade, deixou uma obra formidável, espécie de súmula das inquietações e desejos dos jovens românticos de 1850.Quais eram essas inquietações? Em primeiro lugar o amor, a aproximação entre os sexos, dificultada e até obstruída pela rígida moral patriarcal. Assim, o simples e humano ato de amar assumia, por vezes, um sentido de transgressão, muito presente na obra do nosso poeta, seja no plano social, seja no psicológico. Em vários de seus poemas, Azevedo idealiza a posse sexual em sonho como a realização suprema do amor.O amor estava sempre ligado ao mais desbragado sentimentalismo. Era uma das atitudes bonitas da época, frequentemente corroída por momentos de cinismo e amargura, quase sempre de inspiração livresca. Sentimental e um tanto ingênuo, Álvares de Azevedo intoxicou a sua literatura com os venenos sutis destilados das obras do amargo Byron, do melancólico Musset, do pessimista Leopardi. Ainda bem que tinha em si mesmo um contraveneno poderoso, o seu admirável senso de humor, que o levava a zombar até da morte, como no poema “O Poeta Moribundo”, desenvolvido "na craveira da mais franca piada", como observa Antonio Candido no prefácio. Álvares de Azevedo, 150 anos depois de sua morte, continua capaz de comover e encantar o leitor. O que mais pedir a um poeta?
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