A dificuldade de traduzir Joyce
25 DE julho DE 2013
A revista Superinteressante selecionou alguns livros que exigem não só destreza como sensibilidade dos tradutores para verter a língua original para o português. Muitas vezes os autores usam neologismos e outras figuras de linguagem que dificultam o trabalho.
O escritor irlandês James Joyce teve dois livros mencionados: Ulisses, que pode ser encontrado na BSP, e Finnegans Wake.
No primeiro caso, suas mais de mil páginas são preenchidas por jogos de palavras, trocadilhos, citações e neologismos que narram um dia na vida de Leopold Bloom que, em 24 horas – entre 15 e 16 de junho de 1904 -, vive aventuras parecidas com as de Ulisses, na Odisséia, de Homero.
A obra, publicada em capítulos a partir de 1918, possui várias traduções para o português. O primeiro a se aventurar nesta empreitada foi Antônio Houaiss, em 1966. Depois foi a vez de Bernardina da Silva Pinheiro, em 2005. Mais recentemente, Caetano W. Galindo assinou a tradução lançada em 2012 pela Companhia das Letras, optando por deixar de fora as inúmeras notas-referência da obra original. Uma opção defendida por apresentar a obra como ela é.
Já Finnegans Wake levou 17 anos para ser escrita e é considerada uma das mais difíceis obras de ficção da literatura em língua inglesa e um marco da literatura experimental.
A obra, traduzida por Donaldo Schüler, começa assim: “rolarrioanna e passa por Nossenhora d’Ohmem’s, roçando a praia, beirando ABahia, reconduz-nos por cominhos recorrentes de Vico ao de Howth Castelo Earredores.” Difícil de entender? No original, palavras do inglês e de outras línguas são fundidas, criando uma linguagem única. O resultado: múltiplos sentidos e um trabalho hercúleo para o leitor e para o tradutor que aceitar o desafio.

Ulisses
Nesta obra, intercalam-se as trajetórias de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, pelas ruas de Dublin ao longo de um único dia, 16 de junho de 1904. O autor busca remeter à Odisséia, jornada de Ulisses de volta à Ítaca, em sua estrutura e referências.
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