"A Casa sem Janelas" provoca debate intenso em Clube do Audiolivro
24 DE agosto DE 2020
Em "A Casa sem Janelas", Eepersip, uma garotinha que vive com os pais encerrada em casa, abandona o lar e a família para viver mais próxima da natureza. A professora Patrícia, uma das participantes, disse que não conhecia o título, e sua experiência com ele se deu primeiro pelo audiolivro. "As imagens vinham como desenho animado", falou ela. "[Eepersip] Não era uma personagem de carne e osso na minha cabeça. Nunca aconteceu isso. Até comentei com alguns alunos, foi uma experiência incrível."

Para Maria Cristina dos Santos Rocha, a visão que ficou é que, "metaforicamente, o mundo era mais acolhedor do que a própria casa". Já Aline Calahani achou que trata-se de uma questão de perspectiva: "A casa sem janelas é ela mesma. Tudo pode ter se passado em um sonho".
A história por trás de "A Casa sem Janelas e a Vida de Eepersip Lá" é tão impressionante quanto a da pequena protagonista. Barbara Newhall Follett escreveu o livro aos 8 anos, como presente de aniversário para a mãe. Como os originais se perderam em um incêndio, e a autora foi obrigada a reescrever tudo, a obra só foi publicada quatro anos depois, com grande repercussão crítica e de público.
Filha de Wilson Follett, editor e crítico literário, e de Helen Thomas Follett, escritora de livros infantis, Barbara foi educada em casa e começou a escrever muito cedo. Embora tenha recebido elogios de jornalistas implacáveis como H.L. Menken, sempre se questionou a ajuda que a autora teria recebido dos pais para deixar a obra tão bem acabada. Em 1928, ela escreveria mais um livro, "The Voyage of the Norman D.", inspirado em uma viagem de escuna pela Nova Escócia.
Apesar do sucesso de ambos os trabalhos, Barbara enfrentou o trauma de ver o pai, a quem era muito ligada, abandonar a família. Até 1934, sabe-se que escreveu mais dois livros que nunca viram a luz do dia. Neste ano, já casada, teve uma discussão com o marido, abandonou a casa e nunca mais se ouviu falar dela.
"Não é tão incomum histórias de escritores que desapareceram", disse Osvaldo Yasuda, um frequentador assíduo dos clubes de leitura das bibliotecas. "O caso dela é mais estranho porque não está associado ao fanatismo. O [escritor peruano] Carlos Castañeda também tinha sumido, mas depois ficou claro que era um golpe de marketing."
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