Dia do contador de histórias
20 DE março DE 2013
"As histórias sempre foram importantes para a maneira como eu vejo o mundo". Foto: Arquivo BSP.
BSP: O que faz um contador de histórias? É preciso ter alguma formação específica?
Kiara: O contador precisa ter duas habilidades: ouvir e contar. Não é preciso fazer algum curso especial para isso. Eu fiz teatro, letras e artes do corpo, mas acho que a aptidão narrativa vem de antes, da minha infância. A capacidade de narrar, de contar algo, é inata. Está muito ligada ao nosso desenvolvimento, criação, à maneira como nos relacionamos com a palavra e o domínio da linguagem. Eu estudo a história antes de apresentá-la, construo um roteiro e há um detalhe especial: o conto só existe com o complemento das pessoas, as crianças são praticamente coautoras da narrativa.
BSP: Conte-nos um pouco de sua trajetória. Como virou contadora?
Kiara: Essa resposta é engraçada porque eu nunca fiz nada que não fosse isso. Na época em que eu fazia teatro, havia uma editora na rua da escola que tinha um projeto de contação, eu entrei e passei a encabeçar o projeto. Nunca mais parei. Fui meio sem experiência, usando a bagagem que tinha da minha família, de contar histórias, inventar músicas... Isso há 13 anos. Hoje, também realizo projetos de formação de leitores com professores. É interessante porque eu posso analisar e aplicar o que aprendi nessa trajetória.
BSP: O que você mais gosta em sua profissão?
Kiara: Da oportunidade de criar vínculos com as pessoas. Trabalhando com improvisação, preciso estar totalmente entregue e pronta para responder às crianças e isso nos aproxima muito. Encontrar uma história parecida com a sua é encontrar seu lugar no mundo e a possibilidade de partilhar segredos. Um exemplo disso aconteceu recentemente, numa contação especial baseada no meu novo livro, Hocus Pocus - Um pai de presente. A história fala da chegada de um pai "postiço", no meu caso, meu padrasto e, no fim da atividade, uma menina de sete anos contou que os pais haviam morrido há pouco num acidente de avião. Eu contei pra ela que o meu pai também tinha morrido, então foi um momento muito emocionante para nós. Depois disso, a diretora me contou que era a primeira vez desde a tragédia que a menina falava sobre o assunto.
BSP: Como é contar histórias na BSP?
Kiara: Alguns lugares me emocionam demais... Uma biblioteca no lugar que foi o Carandiru é a coisa mais bonita e reparadora que pode existir. É um dos lugares onde tenho mais prazer de contar em São Paulo. A equipe é motivada e a comunidade do entorno participa muito das atividades, não fica só no computador. E é um público que normalmente não teria acesso a tudo isso. O que fazer com uma injustiça muito grande? Reparar, e não há melhor maneira de fazer isso do que aceitando o passado, criando histórias sobre o passado e coisas novas também.
"A história só existe com o complemento das pessoas, as crianças são coautoras". Foto: Arquivo BSP.
O livro que Kiara cita na entrevista, Hocus Pocus - um pai de presente, está disponível para empréstimo na BSP.

Um belo dia, a menina desta história descobriu que, com apenas um 'plic' e uma palavra mágica, tudo aquilo de que ela gostava poderia de repente aparecer no papel e ficar guardado para sempre. Como? Usando uma máquina fotográfica instantânea. Ela também descobriu o que significava 'instantâneo', o que era o começo das coisas e, principalmente, como era bom, de uma hora para outra, ganhar um pai de presente.
Fonte: Livraria Cultura
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