Leitura ao Pé do Ouvido apresenta obra de Castro Alves
16 DE março DE 2023
Leitura ao Pé do Ouvido
Livro: Hino ao sono
Autor: Castro Alves
Pág: 1
Link Domínio Público: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/wk000611.pdf
O autor: Castro Alves, ou Antônio Frederico Castro Alves, é um poeta romântico do século XIX. Nasceu em Muritiba, no estado da Bahia, em 1847, e morreu em Salvador, no ano de 1871. É conhecido como o “Poeta dos Escravos”, em função de suas poesias de cunho abolicionista. O escritor também escreveu poemas de amor, mas sua poesia de cunho social fez dele o principal nome da terceira geração romântica. O poema O navio negreiro é o mais conhecido do escritor Castro Alves, dada a sua importância histórica e política. No entanto, poemas como “Mocidade e morte”, “Dedicatória” e “O laço de fita”, presentes em seu livro Espumantes flutuantes, mostram a sua capacidade de fazer versos sobre variados assuntos. O poeta brasileiro Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847. Seu interesse pela poesia começou na infância, quando estudava na Escola do Barão de Macaúbas. Sua vida literária solidificou-se quando ingressou na Faculdade de Direito do Recife em 1864, onde passou a ser conhecido pelos seus versos. Em 1866, o poeta apaixonou-se pela atriz e poetisa portuguesa Eugênia Câmara (1837-1874), que passou a exercer influência em sua vida e obra. Apesar disso, a fama do Poeta dos Escravos não se deve a suas poesias de amor, mas à sua poesia de cunho social. Em 1868, Castro Alves mudou-se para São Paulo, em companhia de Eugênia Câmara, que acabou rompendo com o poeta. A partir daí, a vida do poeta assumiu um caráter trágico. Em 1869, Castro Alves, acidentalmente, durante uma caçada, deu um tiro no pé esquerdo, que precisou ser amputado. Com a saúde frágil desde os 17 anos, devido à tuberculose, não conseguiu vencer a doença e morreu em 6 de julho de 1871, com 24 anos de idade, deixando inacabado o seu livro Os escravos.
Trecho:
“Ó Sono! Ó noivo pálido
Das noites perfumosas,
Que um chão de nebulosas
Trilhas pela amplidão!
Em vez de verdes pâmpanos,
Na branca fronte enrolas
As lânguidas papoulas,
Que agita a viração.
Nas horas solitárias,
Em que vagueia a lua,
E lava a planta nua
Na onda azul do mar,
Com um dedo sobre os lábios
No vôo silencioso,
Vejo-te cauteloso
No espaço viajar!
Deus do infeliz, do mísero!
Consolação do aflito!
Descanso do precito,
Que sonha a vida em ti!
Quando a cidade tétrica
De angústias e dor não geme...
É tua mão que espreme
A dormideira ali.
Em tua branca túnica
Envolves meio mundo...
É teu seio fecundo.
De sonhos e visões,
Dos templos aos prostíbulos,
Desde o tugúrio ao Paço,
Tu lanças lá do espaço
Punhados de ilusões!...
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