A casa

O endereço do Centro Cultural e de Estudos Superiores Aúthos Pagano e a casa que o abriga são marcos de uma época de efervescência e modernização da cidade de São Paulo, as décadas de 1920 e 1930.

O bairro, hoje conhecido como Alto da Lapa, foi nomeado na época “City Lapa” e desenvolvido por uma companhia inglesa para ser uma região planejada, que privilegiava ruas largas e calçadas arborizadas, assim como casas espaçosas e com grandes jardins.

Por estar afastada da região central, muito mais a oeste do município, atraiu moradores que valorizavam um ambiente mais natural para viver e a calmaria de um bairro estritamente residencial – características existentes até hoje.

O terreno na Rua Tomé de Souza foi então comprado por um médico oftalmologista que contratou o arquiteto de origem russa e percussor da arquitetura moderna no Brasil, Gregori Warchavchik, para fazer o projeto de sua morada, no fim dos anos 20.

Privilegiando linhas retas e ambientes amplos, a casa comprada pelo casal Pagano em 1963 foi erguida em 1929 e é citada na biografia não oficial de Warchavchik como a terceira residência modernista construída em São Paulo – a primeira é sua própria residência, na Rua Santa Cruz, no bairro da Vila Mariana; a segunda, o imóvel da Rua Bahia, em Higienópolis. Por esse motivo, foi considerada de interesse arquitetônico e sua preservação está garantida pela Lei Municipal nº 8759 de 1978.

Um convite à leitura

O que levou a residência a ser adquirida pelo casal Pagano não foram suas curvas modernas ou seu traçado em linhas retas. O que agradou aos dois foi o fato dela ser um convite à contemplação, à leitura e aos estudos. Bem iluminada e espaçosa na medida certa, acomodou muito bem um casal sem filhos por 13 anos.

Com o falecimento do Professor Aúthos Pagano, em 1976, a viúva, Dra. Carmela Pagano, resolveu alguns anos depois transformar o local em um centro cultural e, assim, compartilhar os mais de 10 mil títulos literários que compunham a biblioteca particular do marido. Nesse processo, descobriu o valor histórico e arquitetônico do imóvel.

São 900 metros quadrados, com mobiliário original e objetos do cotidiano do casal decorando o lugar. A casa oferece aos visitantes um ambiente familiar e aconchegante. Perfeito para ler, conversar e aprender.

O jardim segue a mesma lógica do movimento modernista que pregava o uso de símbolos nacionais e uma maior atenção às belezas brasileiras. Por isso, pode-se apreciar na área verde que circunda a casa alguns pés de limão, lindas roseiras sempre floridas, folhagens nacionais e uma frondosa jabuticabeira, que fica forrada de frutos entre os meses de agosto e setembro.

 

Gregori Warchavchik (1896 – 1972)

Considerado o pioneiro da arquitetura moderna, esse arquiteto de origem russa nasceu em 1896 e chegou ao Brasil em 1923, recém-formado pelo Real Instituto Superior de Belas Artes de Roma.

O arquiteto foi de fundamental importância na implantação de um novo conceito de criar casas, desenvolvendo seus projetos para que as obras fossem mais econômicas e as casas, mais práticas.

Pelo seu trabalho, conquistou o respeito e a admiração de grandes nomes da arquitetura moderna, como o franco-suíço Le Corbusier e o norte-americano Frank Lloyd Wright.

Seu escritório de arquitetura e construção abrigou muitos jovens arquitetos de talento, como Vilanova Artigas e Oscar Niemeyer.