Quem foi

O nome é peculiar. E, segundo anotações do próprio, foi a única pessoa a ser chamada assim no mundo. Aúthos Gloi Ischiros Mateo Domingo Pagano nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 21 de setembro de 1909.

Mudou-se para São Paulo ainda criança junto com seus quatro irmãos, após o falecimento do pai. Sempre estudioso, fez duas faculdades ao mesmo tempo: Economia na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e Engenharia na Universidade de São Paulo (USP). A última não foi concluída por exigir presença em período integral, e Pagano já trabalhava nessa época para ajudar no sustento do lar.

Com o diploma de economista em mãos, em 1936, dedicou-se à primeira tese de doutorado em ciências econômicas do país, “Coeficiente Instantâneo de Mortalidade”, defendida em 1939, quando tinha apenas 23 anos. O trabalho o consagrou professor de economia na instituição que o formou, além de lhe render o título de Doutor Honoris Causa, em Cuba. Anos depois, chegou ao cargo de diretor da Fecap.

A matemática foi a principal musa intelectual de Pagano e ele chegou a defender que a matéria fosse incluída nas grades curriculares dos cursos de Direito. É considerado um dos percussores no ensino de estatística, tema ao qual dedicou inúmeros artigos e alguns livros, como a obra “Lições de Estatística” de 1943, divida em três volumes.

Embora as ciências exatas absorvessem grande parte de suas horas de estudo, sua curiosidade intelectual não dispensava as humanidades. Por isso, chegou a cursar Filosofia por três anos e a estudar Direito durante grande parte de sua vida acadêmica.

Quando inaugurada a Faculdade de Ciências Econômicas do Mackenzie, na década de 1950, Pagano foi convidado a lecionar Demografia, Estatística e Matemática. Deu aulas na instituição até sua morte, em 1976.

Foi representante do “The Econometric Tensor Society” no Japão, por vários anos. Esses encontros entre matemáticos, economistas e estatísticos eram úteis para amplificar conhecimentos e dividir descobertas nesses campos de estudo. Durante sua vida acadêmica, Pagano proferiu dezenas de conferências no Brasil e no exterior.

Em 38 anos de magistério foi escolhido 18 vezes para ser paraninfo ou patrono de turmas de formandos. Teve 12 livros editados e mais de dois mil artigos publicados. Defendeu teses de doutoramento na USP e na Universidade de Montevidéu, recebendo título de Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais em ambas as instituições.

Nas horas vagas, foi um amante da Astronomia, ciência pela qual se dedicou e escreveu centenas de artigos em jornais brasileiros e em publicações estrangeiras.

A biblioteca, como não poderia deixar de ser, era o local preferido de Pagano, com seus livros, sua máquina de escrever, a confortável cadeira austríaca e a mesa de mogno com pés torneados – presente trazido por sua mãe de Montevidéu.

Por conta do patrimônio intelectual de valor inestimável deixado por Pagano, sua viúva, Dra. Carmela Antonia Danna Pagano, resolveu transformar o lar do casal e sua biblioteca em Centro Cultural de Estudos Superiores, como homenagem ao marido. A casa e o acervo foram doados para a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo em 1982, ano de inauguração do espaço.